A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã

A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã

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José Enrique Barreiro
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Duas décadas depois de publicar O mapa do acaso, José Enrique Barreiro retorna à literatura com A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã, este contundente e inquietante conjunto de 29 poemas que nos confrontam com o mais essencial da condição humana.

Já na apresentação de O mapa do acaso, Bruno Tolentino destacava: “Estamos diante de um poeta de primeira linha, que reúne os elementos essenciais de uma aventura reflexiva realmente ousada. Sua obra é uma inquirição longamente maturada, justamente do sentido maior da existência humana, que será sempre uma confrontação entre o ser e o paradoxo”.

Neste novo livro, Barreiro confirma as linhas divisadas por Tolentino. Aqui estão os dramas que nos acompanham desde tempos imemoriais: nossas indagações metafísicas, os mistérios da criação artística, as severas contradições do amor e, de modo não menos relevante, o diálogo crítico com o gnosticismo e a vigorosa objeção (evidente no título do livro) às formas de pensamento e poder que dominam o mundo contemporâneo.

Mais que isso, o que Barreiro nos oferece nestas 80 páginas é o raro deleite literário proporcionado pela pura poesia, aquela que nos traz de volta o lirismo abandonado por uma poética forjada em conceitos, ideias, distanciamento do eu e recorrente despojamento do cerne da vida.

O que temos em mãos, ao contrário, é a obra de um poeta que sabe não ser possível atravessar o rio sem se molhar; que não tem anteparos para falar de si, sua visão de mundo, sua sede de encontro; um poeta que não se esconde em metáforas arredias nem no distanciamento polido do barro da vida.

Sem medo de ser místico e sem pudor de ser político, Barreiro nos instiga a avançar, a enfrentar, num só fôlego, o mistério da poesia e o nosso próprio mistério. Já em O mapa do acaso, deixava claro seu entendimento sobre o fundamento da existência: o Logos antecede o Cosmos. A partir desta metafísica de origem, ele nos coloca diante de nosso destino incontornável (“o rio sabe que o mar / anagrama de amor / é o seu lugar”), reflete, com humor, sobre as tentativas de desvendar o milagre da existência (“gênios tentam há milênios acertar na loteria / o poeta segue à procura da inexplicável poesia”) e não nos deixa esquecer que há luz no fim do túnel (“o amor sempre escapa do labirinto”).

Embora olhe para o infinito, seu intenso lirismo não permite que se ausente. Sua poesia dialógica está aqui, presente, conversando com cada um de nós. Ele mesmo é o personagem da viagem transformadora que propõe, na qual se movimenta de forma decidida (Não sou aquele que se deita no regato / sou este que se move da neve para o fogo / lobo que rasga a pele do vácuo / sem nenhum distrato em seu caminho).

Em A lã das ovelhas já não serve para a neve de amanhã, José Enrique Barreiro retoma o diálogo sobre o “estridente mistério da vida”, veio do qual, na visão de Tolentino, os grandes poetas brasileiros decidiram “afastar-se prudentemente”. No entanto, ficar distante desse veio é abandonar a questão central de nossas vidas e o sentido maior da poesia, pois, mais que um veio, trata-se “na verdade de uma veia, a própria jugular, senão a aorta da grande arte da escrita, do Verbo”.